
Incomodança apresenta:
O espetáculo de dança de salão
Optempo
Sem dúvida, inesquecível.

Se eu fosse compositora, escreveria uma canção bem triste. Através das notas em harmoniosa melodia, eu expressaria o que sinto e que hoje não posso falar. Porque as palavras se esconderam de mim e eu não consigo encontrá-las.
Se eu tivesse um piano, tocaria uma música suave e melancólica. As batidas do meu coração marcariam com cautela o seu compasso regrado e criterioso. Através do som delicado da peça eu tentaria expor o que hoje eu guardo pra mim. Porque não consigo exprimir.
Se eu soubesse pintar, preencheria uma tela vazia com cores serenas. Através da mistura abstrata e confusa das tintas pálidas eu poderia revelar a conseqüência dos sentimentos que brigam dentro de mim. Porque tudo o que eu preciso é libertá-los.
Às vezes pequenos acontecimentos - até mesmo desimportantes aos olhos de outras pessoas - são suficientes para nos gerar grande alegria:
Um elogio, um convite inesperado de alguém que se tornou especial, um pequeno bilhete, um sorriso, um “sim”, uma atitude carinhosa, uma simples recordação.
Algo aparentemente tão modesto, mas que pode proporcionar um encantamento suficiente para se tornar inesquecível.
Outros pequenos acontecimentos, entretanto, são capazes de nos arrancar o brilho dos olhos, aparentemente sem qualquer cautela:
Um silêncio, por exemplo, quando tudo o que é preciso é uma palavra.
2008 foi um ano importante na minha vida. Há duas Lívias muito distintas: uma de antes de 2008 e uma Lívia agora, após esses meses sucessivos de constantes transformações.
Eu já vivi muitas coisas. Os mais velhos me escutam dizer isso e, na maioria das vezes, ensaiam um sorriso, como se eu ainda não tivesse tido tanto tempo para tantas experiências assim. Mas é verdade. Tenho muitas histórias pra contar. Algumas são bem interessantes, outras engraçadas, umas misteriosas e há aquelas bastante tristes. Mas as histórias são muitas mesmo. E todas elas certamente ajudaram a compor quem eu sou hoje. Mas – isso eu digo sem dúvida alguma – umas são mais categóricas que outras na construção da minha personalidade.
Não vou me lembrar dos anos passados e das histórias ainda mais antigas que foram tão fundamentais porque me transformaram. Agora eu olho logo ali pra trás, para um ano que acabou de findar e que ainda parece tão próximo de mim. E, talvez seja por ainda parecer tão parte do presente, que me admiro quando noto como esse ano passado foi marcante pra mim.
Eu vivi muitas transformações em 2008. Acho que todas pra melhor. “Acho” é a palavra correta porque, como ainda não pude experimentar todas essas transformações na prática, não sei exatamente qual dará certo e qual não. Mas eu prefiro acreditar que foi pra melhor mesmo e que as mudanças vão compensar. Pessoas, erros e acertos, grandes e também pequenos acontecimentos foram responsáveis por essa mudança importante. Às pessoas responsáveis por esse presente na minha vida, eu só tenho a agradecer.
Bem vindo 2009! Apresento-lhe com satisfação uma nova Lívia. Espero que nos demos muito bem!
Entretanto, são tolas também as pessoas que se agarram ao passado como se ele ainda pertencesse ao agora. “O que passou, passou”, já dizia Toquinho. Boas ou más experiências de outrora hoje apenas nos servem como lembranças ou ensinamentos.
O passado é como aquele livro que podemos ler ou a pintura de um quadro que admiramos. Está ali, podemos vê-lo e interpretá-lo, mas não pertencemos a ele. A verdade é que ele é que nos pertence.
Invocar o passado e acreditar que ainda podemos vivê-lo é deixar de aproveitar o momento agora. Mais: deixar de viver o presente por causa de momentos passados é abrir mão de experiências que podem ser muito gratificantes.
Muitas pessoas participaram direta e ativamente da minha criação. No final das contas, a verdade é que eu tive muitos pais e muitas mães. Uns desses tantos pais que tive foram os meus avós. Agora, imagine: se a convivência entre pais e filhos pode ser tão complicada devido à distância e à divergência entre as gerações, o que dirá o convívio entre avós e neta? E se eu acrescentar que o meu avô é militar, rigoroso, forte e determinado? Será possível entender que grande (a maior) parte da minha vida foi vivida sob regras rígidas e inflexíveis. Ponto final.
Passei anos - desde muito nova, confesso - sonhando com uma liberdade que eu mesma desconhecia como seria. Mas eu a desejei intensamente e lutei com unhas e dentes por ela. Tempos delicados aqueles de luta.
O fato é que eu recebi o tão cobiçado prêmio pelo qual tanto lutei e me vi, enfim e felizmente, livre!
Passei a levar a minha vida de acordo com as minhas vontades. E apenas com as minhas vontades! Tudo agora deveria ser como eu bem queria!
Havia muito do que eu desejava fazer. Eu tinha inúmeros planos colecionados. E rigorosamente pretendia colocá-los todos
Entretanto, hoje eu enxergo um problema: se é verdade que eu me libertei do cárcere imposto pela minha educação severa, é também verdade que eu me aprisionei em outro que eu mesma construí pra mim, sem me dar conta disso.
Como eu havia dito, tudo deveria acontecer de acordo com o que eu desejava, dali
A maravilha da vida é que as pessoas estão sempre mudando. Essa é, sem dúvida, uma certeza: estamos em transformação o tempo todo. Hoje sou capaz de enxergar a prisão que eu construí pra mim e, sendo assim, sou também capaz de destruí-la! E que incrível prazer poder dizer que estou com minhas marretas em punho, com o coração acelerado e já me sinto livre de mim!
Hoje sinto uma vontade enorme de correr o mundo, de conhecer tudo, de saber das coisas, descobrir pessoas, visitar lugares, ler livros, explorar tudo o que a vida me oferece. Estou preparada para me entregar a experiências jamais vividas, "retas" ou "tortas".